segunda-feira, 20 de janeiro de 2020

NACIONAL: Servidores federais da Dataprev na PB deflagram greve contra risco de fechamento e demissões.

A Dataprev é responsável por processar R$ 50 bilhões de benefícios do INSS, ao mês, e R$ 555 bilhões, por ano, representando 8% do Produto Interno Bruto do país. (Foto: Arquivo)


Os 200 servidores federais da Empresa de Tecnologia e Informações da Previdência (Dataprev) na Paraíba deflagraram em assembleia realizada nesta segunda-feira (20) que vão parar os serviços a partir desta quinta-feira (23). A iniciativa segue orientação nacional e denuncia o fechamento de 20 unidades do órgão em todo o país. 

A Dataprev é responsável por processar R$ 50 bilhões de benefícios do INSS, ao mês, e R$ 555 bilhões, por ano, representando 8% do Produto Interno Bruto do país. 98% da sua receita são oriundos do processamento da folha do INSS, pagos pelo governo federal para a empresa fazer esse serviço pela gestão das folhas de aposentadorias e pensões.

Em entrevista ao Portal ClickPB, o presidente do Sindicato dos Empregados em Empresas de Processamentos de Dados da Paraíba (Sindpd-PB), Ademir Diniz explicou que a greve já era prevista diante o quadro de desligamento voluntário que 'maqueia' a demissão em massa proposta pelo Governo Federal. 

"Um programa de desligamento voluntário foi imposto aos servidores, quem não aderir será demitido. É uma programa para fechar as 20 unidades da empresa em diversos estados. Na Paraíba, não haverá pelo menos agora esse fechamento, mas já sabemos que existe a possibilidade sim de desmonte e privatização. Estamos em solidariedade com toda a corrente que se fortalece em todo o país contra esse ataque sem precedentes que impactará ainda mais a vida da população", explicou. 

A empresa que é responsável por toda a gestão de dados da Previdência, Inss e outros programas que são desenvolvidos para grupos como o Mercosul, se fechada aprofundará ainda mais o colapso existente no Inss. Para Ademir, todo o caos enfrentado pela população para dar entrada na aposentadoria e outros direitos é fruto da falta de gestão do governo que "aprovou uma reforma da previdência sem agilizar a adaptação dos programas responsáveis pela liberação desses recursos. Não fizeram o processo de atualização dos programas com as novas regras dos benefícios e aposentadorias. Agora, se está ruim tendo, o país uma empresa responsável por toda a implementação de dados, imagine sem ela?", questionou. 

"Estaremos retrocedendo décadas, quando filas gigantescas eram enfrentadas por quem precisava receber seus direitos previdenciários além de outros. Todo esse colapso que estamos enfrentando é motivado pelo despreparo desse atual governo que aprovou uma reforma da previdência, antes mesmo de preparar as máquinas."

O sindicalista criticou ainda a proposta de contratação de sete mil militares pelo INSS para ajudar a agilizar os processos de benefícios e aposentadorias. " O governo quer contratar militares, quando possui um quadro qualificado e concursado com mão de obra disponível. Ele quer demitir em massa profissionais de alta formação para contratar militares sem nenhuma formação. A população tem que estar atenta ao que está sendo feito com o patrimônio que é dela. Iremos lutar e denunciar esse desmonte das empresas públicas", relatou.  

No último dia oito de janeiro, a direção da Empresa de Tecnologia e Informações da Previdência (Dataprev) anunciou a demissão de 493 (15%), dos seus 3.360 trabalhadores e trabalhadoras e o encerramento das suas atividades em 20 estados.

Fonte: Folha Press

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