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24/09/2019

NOVOS ATAQUE DO PCC: Ceará enfrenta nova série de atentados nas ruas após ordem de facção.

O grupo criminoso tem origem local e rivaliza pela disputa de territórios cearenses com o PCC (Foto: Reprodução)
Oito meses após a série com mais de 200 atentados que assustou o Ceará no início do ano, o estado enfrenta uma nova onda de incêndios criminosos. A ordem teria partido da facção criminosa GDE (Guardiões do Estado), em resposta à repressão e "crueldade" de agentes públicos dentro dos presídios.


O grupo criminoso tem origem local e rivaliza pela disputa de territórios cearenses com o PCC (Primeiro Comando da Capital). Há três dias, pelo menos 15 ataques ou tentativas foram registrados em três cidades.

No sábado (21), uma torre de telefonia no bairro de Messejana, em Fortaleza, foi atacada. Há relatos de um carro incendiado também no Bairro Cidade 2000, da capital.

Na madrugada de domingo (22), houve tentativa de incêndio de três caminhões na BR-116, em Messejana, e a um posto de combustível em Quixadá (a 171km de Fortaleza). Durante o dia, o ataque foi a um caminhão carregado com papel higiênico, também em Quixadá, que foi parcialmente atingido. Já no domingo à noite, no bairro Cidade 2000, na capital cearense, um caminhão foi incendiado.

Ao menos três ataques foram registrados nesta segunda (23). Pela manhã, um carro da empresa de energia Enel foi incendiado no Conjunto Esperança. A empresa diz que ninguém se feriu na ação. À tarde, um ônibus foi atacado e incendiado por ônibus encapuzados no bairro Pedras, também em Fortaleza. Outro coletivo foi queimado no bairro Aracapé, em Fortaleza.

No fim da tarde, o governador Camilo Santana (PT) atribuiu os ataques ao "forte enfrentamento ao crime organizado".

Nas redes sociais, ele afirmou que o governo tem agido "dentro e fora das prisões cearenses, cortando comunicação, isolando e transferindo chefes criminosos, punindo de forma rigorosa atos de indisciplina e acabando com todo e qualquer tipo de regalia nos presídios."

"Minha determinação aos comandos foi de endurecer ainda mais contra o crime, agindo com firmeza e dentro da lei. Reforçaremos as equipes nas ruas e intensificaremos ainda mais as operações. Não recuaremos em absolutamente nada nas medidas que foram tomadas até aqui. Muito pelo contrário, seremos cada vez mais rigorosos com quem desrespeitar a lei. A possibilidade do retorno às regalias nos presídios é zero", finalizou.

Um áudio distribuído a diretores de presídios pelo secretário de Administração Penitenciária do Ceará, Mauro Albuquerque, confirma que o estado "está outra vez sob ataque". "Temos que mostrar que o estado não cederá nenhum milímetro", disse.

O secretário ordena uma "geral" (revista detalhada) em todos os locais onde estão presos faccionados com a GDE. "É fazer e endurecer todos os procedimentos dentro das cadeias. Alerta total a todos os agentes para poder se autodefender. Estamos juntos, não vamos ceder. Vamos endurecer muito mais, dentro da legalidade", afirmou.

Em outro áudio obtido pela reportagem, o comandante da PM (Polícia Militar) do Ceará, Alexandre Ávila de Vasconcelos, diz que todos devem ficar de sobreaviso por conta de uma "crise que está ganhando proporções desde ontem". "Todos devem estar atentos, com celulares ligados, prontos para combate", disse.

Uma fonte da reportagem afirmou que, apesar de o secretário apontar a GDE como responsável, os ataques podem ser das facções unidas, como ocorreu em janeiro e fevereiro deste ano.

Em um suposto "salve" (ordem dada pelos criminosos) assinado pelo "crime organizado do estado do Ceará", a ordem é realizar "ataques contra empresas privadas (lojas de carros, lojas nos grandes centros, restaurantes e supermercados)".

O pedido é para que "parem de maltratar nossos irmãos e amigos apenado [sic], com procedimentos exagerado [sic] e que respeitem os direitos do preso com mais humanismo e respeito e pare com os atos de crueldade e com o abuso de poder".

A Polícia Militar informou que prendeu nesta segunda quatro pessoas no bairro Vicente Pinzón, suspeitas de atearem fogo no caminhão no bairro Cidade 2000 na noite de domingo. O grupo estava com um veículo clonado e um galão com gasolina.
Ao todo, sete pessoas haviam sido presas, sob suspeita de envolvimento em ataques, até às 19h desta segunda.

Segundo a Secretaria de Segurança Pública e Defesa Social, o grupo também está sendo investigado pela tentativa de incêndio de três caminhões na BR-116, em Messejana, na madrugada, e em outras ações criminosas registradas no final de semana, em Fortaleza.

A Polícia Civil pede que a população contribua com as investigações, com informações e denúncias para o Disque-Denúncia, pelo número 181. O sigilo e o anonimato são garantidos.

Em nota, as empresas de ônibus informaram que vão reduzir a frota se ônibus em Fortaleza temendo mais ataques.

"Informamos à população de Fortaleza que, devido às ocorrências criminosas ao sistema de transporte coletivo, nesta segunda-feira, a frota de ônibus da capital e região metropolitana será reduzida e estará operando com o acompanhamento e a segurança da Polícia Militar. Estamos envidando todos os esforços para garantir segurança no serviço de transporte de passageiros com a total preservação da vida de usuários e trabalhadores", informou..

Fonte: FolhaPress

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